Na espera de conseguir uma renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) ou a segunda via de algum documento, milhares de pessoas se dirigem diariamente à Praça da Sé, em São Paulo – onde se encontra um tal de Poupatempo. A julgar pelo nome, todos acreditam que terão suas manhãs ou tardes muito bem aproveitadas, já que seus tão preciosos minutos e horas serão usados em outra atividade, que não esperar em filas gigantescas de algum órgão público.
Ao desembarcar na cidade subterrânea que é a estação de metrô da Sé, começa a correria. As placas que indicam a localização do lugar fazem todos chegar a uma área abarrotada de vendedores de fotos 3 X 4 com fundo branco para documentação. Não são um ou dois deles, é uma infinidade, de forma que lhes dizer “Não, obrigado” é tão constante quanto a respiração.
Seguindo o fluxo de pessoas, chega-se a um prédio enorme, todo envidraçado, onde, logo na entrada, já é importante prestar muita atenção para que lugar é preciso ir. Praça azul, verde, vermelha, ou laranja? Vai depender de que documento se quer solicitar. No caso da CNH, deve-se ir à Praça Azul. Ela é de fácil localização, pois as indicações internas são, ao menos, bem explicativas.
O terror começa no momento em que algum funcionário, respeitosamente vestido com camisa branca, calça preta e gravata ou lenço vermelho, indica à multidão, afoita por documentos e informações, a fila em que se deve esperar para ser atendido. Os que chegaram depois das nove horas da manhã ficarão, com certeza, na fila improvisada com fitas de interdição – zebradas em amarelo e preto. Tal fato indica, claramente, que todos terão que esperar mais do que deveriam, já que nem a fila original do estabelecimento fora capaz de acomodar todos os, então, desgostosos visitantes.
Mais desgostosos ainda eles ficam ao ouvir, enquanto ingressam em seus tristes destinos momentâneos, que a espera pela vez de serem atendidos é de três horas e meia. Ou então, quando interrogados a respeito dos documentos que trazem, descobrem que lhes falta alguma cópia ou original. “Você tem ai as cópias da identidade, CPF, carteira de motorista, comprovante de residência, juntamente com seus originais e uma foto 3X4 recente?”, é a fala dos atendentes. Quem não os tem, deve providenciar e, infelizmente, voltar para o fim da fila zique-zague – daquelas que tem por objetivo espremer o maior número de pessoas no menor espaço possível.
Quando alguém finalmente grita “Próximo!” ao primeiro da fila, pode-se ver uma expressão de alívio tremenda na respectiva face. Mas logo se descobre que aquela fila serpe é apenas a primeira; afinal nela só se consegue a senha de chamada, que fará a todos esperarem por, mais ou menos, duas horas até resolverem, por fim, seus problemas. A jornada enfim acaba depois de terem “poupado” algumas horas a mais de sono ou de trabalho dos ilustres cidadãos brasileiros.
O Governo deveria, ao menos, mudar o nome de suas instituições, já que melhorá-las não parece ser possível. Poupatempo seria um nome bom para uma Internet banda larga, não para as filas intermináveis enfrentadas por toda a população, a fim de fazer valerem seus direitos e deveres.
Por fim, aos mais desavisados: cuidado para não serem assaltados na Praça da Sé a caminho de sua populosa estação de metrô. Ou poderão ficar sem tempo, sem dinheiro e, finalmente, com crédito negativo de paciência.
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Escrevi esse texto para a faculdade. Não tínhamos tema. O que escrevemos foi um texto jornalístico descritivo. Gostaram do meu?
Bom fim de feriado.
Beijos, da P.