Pular as ondinhas

Okay. Eu assumo. Abandonei um pouquinho o Língua da P. Mas me dedicarei mais em 2011 (é sempre a mesma coisa, né?). Mas, com a mudança de ano, não poderia deixar de vir aqui e fazer uma reflexão sobre tudo o que aconteceu no ano que tá indo embora. E, olha, como aconteceu coisa, viu?!

Pra começar o ano tive o meu primeiro estágio. Trabalhei numa assessoria de imprensa e conheci taaanta gente que eu tenho certeza que vai ser importante pro resto da minha vida! Vivi, Tutu, Dé e tantos outros que hoje fazem mais do que parte do que eu sou. Além disso, foi por causa desse emprego que o Salada de Cinema chegou pra mim, né? O Dé me conheceu, gostou de mim, viu meus gostos e me chamou pra participar de uma coisa que hoje eu gosto taaaanto de fazer. Cinema é demais, né gente? E, além disso, eu conheci a equipe toda do site, que foi se formando aos pouquinhos, e que é sensacional!

Depois disso eu comecei a trabalhar no Kzuka e também aprendi btte. Conheci pessoas que me deram oportunidades super legais e fiz amigos incríveis! Vi a Ivetinha, o Tas e mais um monte de gente. Apesar de eu estar deixando isso tudo pra trás, jamais deixarei tudo pelo que passei sem os seus devidos méritos.

Além disso, em 2010 me aproximei cada vez mais das pessoas certas para a minha vida, tanto na faculdade, quanto das pessoas do colégio e amigos de lugares diversos. Conheci várias pessoas novas e conquistei muita coisa, apesar de não ter conseguido tudo o que eu queria, né? Mas não podemos ter tudo o que queremos na hora em que queremos. Agora só resta continuar lutando pelo que se quer. E, no que depender de mim, não paro nuunca (afinal, se eu fosse um animal, eu seria uma MOSCA!) ;)

Obrigada pessoas que estiveram do meu lado, que me ajudaram, que me deram oportunidades e que confiaram em mim. Obrigada amigos velhos e obrigada amigos novos. Valeu, 2010! E que venha 2011, cheinho de conquistas.

 

Beijo, da P.

Parem de nos perseguir, vendedores

Vim fazer um desabafo. Muito propício, por sinal, à época do Natal e das Festas todas, na qual mais gastamos do que outra coisa!

Por que é que os donos das lojas fazem os vendedores fazerem EXATAMENTE o que mais odiamos? Hoje mesmo estava no shopping com a minha mãe  e ela estava somente olhando a vitrine da loja (entenderam? A VITRINE! Que fica do lado de fora e tal!). E dai, a vendedora já saiu da loja (correndo) pra perguntar se ela queria alguma coisa. Poxa, se ela quisesse algo teria, no mínimo, entrado na loja, não?

Muito bem então, vendedores do Brasil! Tentem encher menos o saco, ok? Depois que a gente começar a fazer as compras, se vocês quiserem começar a entochar mais compras na gente, tudo bem! Vá lá, é o trabalho de vocês, né? Mas deixem, PELO AMOR DE DEUS, a gente dar uma olhadinha na loja sem ter que dar satisfação pra ninguém, tá? Faz parte da diversão natalina.

Muito agradecida pelo momento de desabafo.

 

Beijos, da P.

Paulinha queria morar em…

Dia desses estava falando com umas amigas que, quando eu morresse, gostaria de ir pro clipe da Katy Perry, “California Gurls”, sabe? Porque é um mundo de doces!!!

Daí eu pensei: que tal fazer um post sobre alguns lugares que poderiam existir, mas não existem? Aqueles lugares que a gente sempre quis ir (desde pequeninos).

Como eu nasci na década de 90 acho que minhas 10 escolhas vão estar carregadas do meu repertório “desenhístico” da época. Mas, vamos lá, vejamos se alguém concorda comigo.

Obs: a ordem de favoritos não é necessariamente a colocada aqui. E também não significa que eu não gostaria que outros lugares existissem, mas foram os lugares que eu pensei agora.

1. Hogwarts

Preciso dizer alguma coisa? Aquele lugar é fantástico! E não só Hogwarts, mas todo o mundo mágico de Harry Potter, é claro.

2. País das Maravilhas

E nem é o do Tim Burton que eu quero. Quero mesmo é do desenho antigo da Disney! E quero comer aquele bolinho que faze crescer.

3. Golden Coast

Sim, esse é o lugar cuja a existência se deve à Katy Perry. Vamos todos espirrar chantilly pelos peitos?

4. Fábrica de Chocolates Wonka

Cadê o meu Golden Ticket, meu Deus?

5. Mário World

Dá licença que eu quero salvar o pinguim no meu joguinho de Nintendo 64? E, ah, a princesa também me aguarda!

6. Castelo Ratimbum

Quem nunca quis ter um quarto igual ao do Nino, ou uma cobra num buraco na árvore que fica no meio da sala?

 

7. Mundo dos Ursinhos Carinhosos

Eu nem sei se aquele lugar tinha um nome. Mas era muito amor e ternura num lugar só, não é mesmo?! Nem os maus conseguiam ser tão maus assim.

8. Caça-Talentos

Fada Bela, você foi a minha musa dos sete anos. Beijo pra você!

9. Oz

Tudo é tão bonito e os amiguinhos são tão legais e diferentes, que a Dorothy não devia ter saido de lá nunca.

 

10. Neverland

Não a do Michael, né gente? A do Peter Pan mesmo. Eu gosto até do Capitão Gancho se você quer saber.

 

E você, em qual mundo quer viver?

Beijos, da P.

Perfilando

Tô meio sem tempo, gente. Trabalhos e provas. Está uma loucura.

Mas estou postando um perfil que fiz para Jornalismo Básico. Espero que gostem. Sei que poderia ter mais coisas, mas o número de caracteres não me permitiu :(

 

Beijos, da P.

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De Petrópolis para o mundo, André Sabino bem sabe aonde quer chegar

A história de um ator que deixou a timidez de lado e abriu as cortinas dos palcos para conquistar platéias por todo o Brasil

Movimentos despojados, coreografia ensaiada, letra na ponta da língua, e um sorriso no rosto. Assim, André Sabino, ator da peça “Eu sou, ele é, mas quem não é?” pode ser visto nos ensaios teatrais durante as tardes dos dias de semana. A idade, revelada a muito contragosto, de 46 anos, só comprova todos os anos de experiência como artista. O homem – de olhos azuis, cabelo raspado e porte atlético – nasceu em Petrópolis, cidade em que morou até os 11 anos. Mas foi na capital do Rio de Janeiro que Sabino viveu durante a maior parte da vida. Só chegou a São Paulo há três anos, depois de ter sido convidado por André Rangel para atuar na peça “Sexo etc e tal”.

A desenvoltura pouco tímida e a conversa de quem tem bastante para contar nunca diriam que o ator já fora tímido e complexado. “Achava que as pessoas estavam falando de mim”, comenta. Depois de fazer um curso de teatro aos 18 anos, simplesmente para se desinibir, descobriu o talento, até então escondido, para a profissão.  Para quem não tinha nenhuma referência das artes cênicas na família ou relações exteriores com o mundo teatral, tudo foi uma surpresa. Ele ainda lembra bem da primeira vez que entrou em cena, “Foi uma peça ridícula! Chamava ‘Jardim dos girassóis cor de rosa’”, relata demonstrando, pela primeira vez, um pouco de vergonha.

Apesar da timidez, Sabino teve uma infância relativamente normal para uma cidade do interior no Rio de Janeiro. Assistia televisão em casa, brincava e tinha alguns amiguinhos, embora não fosse totalmente bem visto pela vizinhança. “Sabe o filho da desquitada? Aqueles que quando saem na rua todos os outros vão correndo de volta pra casa?”, indaga. Filho único de pais separados e, por vezes, vítima da sociedade que mal via a separação, não deixou de ter um lar bem estruturado, onde tinha tudo o que precisava para viver bem.  A mãe, significado maior da vida do ator, sempre se esforçou muito para dar tudo para o filho e, apesar de inicialmente não ter visto a carreira artística como o melhor futuro para ele, acabou por apoiá-lo depois de vê-lo em cena. “Minha mãe é tudo para mim”, conta Sabino, com os olhos marejados e um pedido de desculpas por se emocionar tanto ao falar da pessoa mais importante de sua vida.

A formação em Publicidade e Propaganda – realizada como que para satisfazer a mãe, que desacreditava na vida de artista – só fora realmente usada uma vez, quando Sabino produziu um espetáculo e precisou promovê-lo. Uma das maiores emoções da vida do ator foi ter convidado para participar de sua produção a atriz Solange Couto, hoje uma grande amiga. “Quando sai da casa dela, eu pensei: meu Deus! Ela é louca! Como ela topou uma coisa dessas?”, conta ele ao recordar o fato que acabou desembocando em uma amizade de laços indestrutíveis, já que Sabino apadrinhou o filho da atriz.

Ainda dentre os mais importantes momentos de sua vida, esteve o dia em que sentou na frente do produtor da TV Globo para assinar o contrato de atuação em um dos programas do Chico Anysio. “Naquele momento eu pensei: eu consegui!”, relata o ator, ainda grato a diretora e atriz Cininha de Paula, sobrinha de Chico, por tê-lo colocado na televisão. Sabino atuou como “ator varejão” – aqueles que fazem vários personagens – em Chico Anysio Show e Estados Anysios de Chico Anysio.

Apesar do trabalho na televisão, foi nos bastidores do teatro que conheceu duas pessoas muito importantes para o desenvolvimento de sua carreira. Lupi Gigliotti, humorista brasileira e diretora de uma companhia de teatro para crianças, foi o grande incentivo para o trabalho de Sabino no teatro infantil. “Essa é uma das coisas que sinto muita falta aqui em São Paulo: de fazer teatro para as crianças. Estou esperando alguém me chamar para isso”, desabafa Sabino. O ator contou ainda com a ajuda da colega de profissão Simone Carvalho, com quem fez sua primeira turnê nacional e teve a oportunidade de conhecer grande parte do Brasil.

Agora, morando em São Paulo, o artista tem uma rotina de ensaios, apresentações e de busca por fazer o que lhe faz bem. “Adoro malhar. Vou à academia todos os dias da meia noite às duas. Gosto de dormir, de dançar, de ir ao cinema”, conta ele. Se perguntado a respeito de seus planos para vida pessoal e profissional, ele se mostra mais humilde do que quando começou a carreira. “Quando nós somos novos queremos aparecer na capa da revista. Hoje o que eu quero é viver bem da minha profissão, ser respeitado como ator e, realizar um sonho que está prestes a acontecer: fazer cinema”, reflete Sabino, deixando transparecer um olhar de contentamento através dos encantadores olhos azuis.

Palavras ou imagens?

Como se não bastasse ter Orkut, Twitter, Facebook, Formspring, o blog e o Salada de Cinema (além dos três e-mais e do msn, é claro!), resolvi fazer um Tumblr.

Acho que ele tem uma função diferente da que o blog tem. Como jornalista que gosta bastante de escrever, tenho o Língua da P. para falar mais profundamente sobre as coisas. Mas, tenho que assumir que, às vezes, mostrar cumpre um papel tão satisfatório quanto escrever bastante. (Não é à toa que os fotógrafos são nossos amiguinhos)

Por isso, lá vamos nós, né? Se quiserem “ver” um pouquinho mais de mim e do que eu penso: www.apaulagosta.tumblr.com

Entrem também no Salada e me perguntem tudo no Formspring!

E, já que falamos de imagens, aí vai uma que eu achei linda.

Beijos, da P.

Problema na democratização da mídia

Esta semana, lá na Cásper Libero, tivemos uma coletiva de imprensa sobre a necessidade de democratizar os meios de comunicação. Tá, legal. Ideia ótima se as pessoas quisessem que isso acontecesse.

Não adianta nada a gente falar em ter mais programação independente, dar mais vozes para os mais diversos tipos de pensamento e, de fato, exercer a função para que o jormalismo veio ao mundo sem que haja uma “puta” (com o perdão da palavra) mudança no sistema educacional e na criação social proposta em nosso país.

E não é nem que eu sou negativista a respeito da mudança. Eu só não curto muito utopias e divagações que não tem condições de sair do papel. Se é pra fazer algo, façamos algo viável. Vocês acham mesmo que uma (futura, atual, nem tão antiga) jornalista não gostaria de trabalhar num país onde exista os mais diversos tipos e ideologias de mídia?

Não adianta nada quer tirar da TV, por exemplo, a programação estúpida que todo mundo gosta de assistir, enquanto a população estiver a fim de assistir somente a estupidez. Entretenimento é MUITO legal, mas cabe a um longo processo de “lavagem cerebral cultural” ditar qual é o entretenimento que vale a pena, saca? (por falar nisso, a Mostra de Cinema tá ai, né gente?! Esse vale a pena!)

Pronto, desabafei! Haha.

Beijos, da P.

Períodos infernais

Acho que acredito nessas coisas de inferno astral, sabe? Mas não sei se acredito que ele acontece sei lá quantos meses antes do seu aniversário, ou que ele dure 3 anos. Acredito ainda menos que ele dure sete infinitos 365 dias caso você tenha quebrado um espelho.

Mas tem aqueles tempos em que nada tá bem. Começa com uma duvidazinha aqui, uma insatisfação acolá. Dai você começa a ter dores de cabeça e se irritar com as coisas mais idiotas do mundo. Depois chega o pior, você decide que tem certeza que tá tudo fora do lugar e que todas as pessoas são uma merda e que nenhum problema está, na verdade, em você mesmo.

Chega a hora em que além do seu mental parar de funcionar, o seu físico resolve entrar na brincadeira. Doenças sem fim! Será que é um jeitinho que nossa cabecinha dá para dizer: PELO AMOR DE DEUS, PARE!?

Mas, assim, depois passa. A gente sempre é capaz de aguentar mais do que a gente pensa, sabia? E a maioria dos nossos problemas e a gente mesmo que inventa. E, o seguinte, o que der pra resolver, resolva! Bota a boca no trombone, fala o que te incomoda, e tente consertar o máximo que der. A gente consegue. (Eu consigo).

Mesmo assim ainda fico pensando, será que se eu não tivesse no “inferninho astral” as coisas que eu realmente queria poderiam ter acontecido? Só o tempo dirá… Enquanto isso prefiro que o que tiver que ser, será. Hoje, ontem, amanhã ou qualquer dia desses.

 

Beijo, da P.

Perfeição: A Rosa Púrpura do “Caio”

Bom, que eu gosto bastantão de Caio F. não é mais novidade, né? Ele é fera. Sempre encontra um jeito de falar sobre qualquer sentimento que você esteja sentindo.

Mas daí ele vem, e me escreve um texto sobre o “A Rosa Púrpura do Caio”, do Woody Allen – um filme PER-FEI-TO. Pelo menos para mim, que vejo o cinema exatamente como a Cecília vê. Eu já escrevi sobre o filme aqui, lembram?

Enfim, foi a combinação mais maravilhosa que eu descobri nos últimos tempos. Vale conferir!

Beijos, da P.

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A Rosa Púrpura do Cairo

Não consigo lembrar a primeira vez que fui ao cinema. Mas, certamente, faz muitos anos. Acontece que lá em Santiago, interiorzão brabo do Rio Grande do Sul, minha mãe adorava cinema. Meu pai não era muito chegado. Naturalmente, então, eu – o primogênito – era sempre requisitado para acompanhar minha mãe nas sessões do Cine Imperial, o único da cidade. Como ela era muito amiga de Dona Zezé, a mulher do dono, sempre davam um jeitinho para que eu pudesse entrar. Mesmo quando era fita (dizia-se fita, naquele tempo) forte (e dizia-se forte quando tinha um pouco de sexo, algum beijo mais demorado – e de língua).

Daquelas sessões, então, ao lado de minha mãe, misturadas às matinês de domingo, resta uma espécie de colagem louca na minha memória. Onde Flash Gordon espia a saia arregaçada de Silvana Mangano em Arroz Amargo, e os gritos e cipós do Tarzan Johnny Weissmuler fazem fundo às lágrimas de Lana Turner em Imitação da Vida. As caras e bocas tropicais da mexicana Maria Felix convivem em paz tanto com as caras e bocas escandinavas de Ingrid Bergman quanto com o sapateado de Ginger e Fred. Numa cidadezinha onde nada acontecia, as paixões e aventuras aconteciam (porque viver sem elas quem consegue?) na telinha do cinema.

Talvez tenha sido por isso que, mais de 30 anos depois, ao assistir pela primeira vez A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen – naquela cena final, quando a imagem congela no esboço de sorriso (tão amargo e iluminado) de Cecilia/Mia Farrow -, não me contive e gritei: “Que filho da puta!” Porque, de repente, tudo o que eu tinha vivido (e acho também que a minha geração inteira) nesses anos todos de cinemania estava ali contado na vidinha de Cecilia. Que vai obsessivamente ao cinema para viver – viver o que a vida não dá, ou dá apenas em doses homeopáticas, simulacros. Qualquer pessoa viciada em cinema (como Cecilia e eu) sabe desse pequeno segredo, tão profundo quanto inconfessável: vai-se ao cinema para viver o que a vida não dá.

Se é uma fuga? Sim – e daí? Só depois de ter visto A Rosa Púrpura compreendi melhor porque nunca consegui gostar muito de Godard, por exemplo. A grande maioria dos filmes dele foram feitos para você refletir sobre eles, para você se distanciar-se e criticá-los. Mas quem vai ao cinema como Cecilia/Mia Farrow ia, não quer refletir sobre nada, não quer distanciar-se, nem critiicar coisa alguma. Quer apenas mergulhar na fantasia, de onde só voltará à tona com certa dificuldade. E algum desgosto pelo sem-gracismo da realidade dita “objetiva”.

Ao final daquela primeira vez que vi A Rosa Púrpura, me voltaram à cabeça uns versos de um poema e de uma música. Um poema de, coincidência, Outra Cecília (a Meireles): “A vida só é possível reinventada”. E uns versos de Mario Lago para um fox muito antigo, de Custódio Mesquita, gravado por Orlando Silva, Nada Além: “Eu não peço nem quero/ para o meu coração/ nada além de uma linda ilusão”. A princípio, não compreendi a relação. Agora, suponho que sim: tanto o filme quanto o poema ou a música falam dessa nossa louca necessidade de ilusão. Porque a imaginação do homem foi feita, acho, para imensamente mais do que aquilo que o cotidiano oferece.

Por tudo isso, em cada vez que revi o filme (perdi a conta), vivi junto com Cecilia a paixão por uma figura que só é possivel no sonho. E sempre compreendi perfeitamente bem quando, ao contar que está apaixonada, Cecilia acrescenta, meio encabulada, como pedindo desculpas: “Ele não é real, mas que se há de fazer? Também não se pode ter tudo”. Por não se poder ter tudo, vai-se ao cinema. Aquela salinha escura onde, por algum tempo, todos os sonhos mais loucos são possíveis. De mentirinha, é claro. Mas que se há de fazer?

Pensando bem…

Andei pensando. A gente vai virando cada vez mais adulto enquanto o tempo passa, né? E por mais que a gente não perceba, ou por mais que digamos que seremos crianças para sempre, acabamos notando em pequenas coisas que a ingenuidade foi ficando para trás.

Do tipo, quando eu era pequena a Disney me fez acreditar que a a Fera f icou bonita porque a Bela sentia uma amor verdadeiro pelo monstro. Mas, poxa, se a Bela amava a Fera daquele jeitinho mesmo, porque raios é que a Fera tem que virar um príncipe? Deixa o monstro como ele é! Dá até pra pensar que eu fui enganada…Afinal, a Bela foi “rencompensada” por ter amado o bicho feio (ok, ele era feio só por fora).

E eu sei que a mensagem não foi necessariamente essa, até porque a história mesmo dizia que quando a Fera encontrasse o amor verdadeiro, ela voltaria a ser normal e BLÁ, BLÁ, BLÁ. Mas dai, quando eu já era maiorzinha, criaram Shrek, que tem muito mais a ver com o que eu quero dizer, sabe? Afinal, eles se amam e são OGROS! Isso sim é que é história de amor! (Mas eu vou parar de falar mal da Bela e a Fera, afinal é meu desenho favorito…que culpa eles têm de serem uma enganação?)

E não é que eu também não acredite mais em príncipe encantado, acho que, no fundo, no fundo, todas as meninas acreditam. Eu só acredito em um outro tipo de príncipe encantado…não necessariamente igual ao Shrek, é claro! E, hoje, eu também acho que para que ele seja um príncipe, ou um encantado, ou até mesmo a tradicional combinação dos dois, muita coisa depende mais de mim do que dele. Acho que dá pra entender, né?

Enfiiiim, eu tô crescendo. Assim como todas as pessoas ao meu redor. Mas, creio eu, que vou ter sempre a princesa Bela que eu queria ser quando criança em algum lugar aqui dentro, e vou deixar que ela se manifeste quando achar que é devido.

Beijos, da P.

Porque é assim que eu me sinto

“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”

Caio Fernando Abreu

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