Tô meio sem tempo, gente. Trabalhos e provas. Está uma loucura.
Mas estou postando um perfil que fiz para Jornalismo Básico. Espero que gostem. Sei que poderia ter mais coisas, mas o número de caracteres não me permitiu
Beijos, da P.
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De Petrópolis para o mundo, André Sabino bem sabe aonde quer chegar
A história de um ator que deixou a timidez de lado e abriu as cortinas dos palcos para conquistar platéias por todo o Brasil
Movimentos despojados, coreografia ensaiada, letra na ponta da língua, e um sorriso no rosto. Assim, André Sabino, ator da peça “Eu sou, ele é, mas quem não é?” pode ser visto nos ensaios teatrais durante as tardes dos dias de semana. A idade, revelada a muito contragosto, de 46 anos, só comprova todos os anos de experiência como artista. O homem – de olhos azuis, cabelo raspado e porte atlético – nasceu em Petrópolis, cidade em que morou até os 11 anos. Mas foi na capital do Rio de Janeiro que Sabino viveu durante a maior parte da vida. Só chegou a São Paulo há três anos, depois de ter sido convidado por André Rangel para atuar na peça “Sexo etc e tal”.
A desenvoltura pouco tímida e a conversa de quem tem bastante para contar nunca diriam que o ator já fora tímido e complexado. “Achava que as pessoas estavam falando de mim”, comenta. Depois de fazer um curso de teatro aos 18 anos, simplesmente para se desinibir, descobriu o talento, até então escondido, para a profissão. Para quem não tinha nenhuma referência das artes cênicas na família ou relações exteriores com o mundo teatral, tudo foi uma surpresa. Ele ainda lembra bem da primeira vez que entrou em cena, “Foi uma peça ridícula! Chamava ‘Jardim dos girassóis cor de rosa’”, relata demonstrando, pela primeira vez, um pouco de vergonha.
Apesar da timidez, Sabino teve uma infância relativamente normal para uma cidade do interior no Rio de Janeiro. Assistia televisão em casa, brincava e tinha alguns amiguinhos, embora não fosse totalmente bem visto pela vizinhança. “Sabe o filho da desquitada? Aqueles que quando saem na rua todos os outros vão correndo de volta pra casa?”, indaga. Filho único de pais separados e, por vezes, vítima da sociedade que mal via a separação, não deixou de ter um lar bem estruturado, onde tinha tudo o que precisava para viver bem. A mãe, significado maior da vida do ator, sempre se esforçou muito para dar tudo para o filho e, apesar de inicialmente não ter visto a carreira artística como o melhor futuro para ele, acabou por apoiá-lo depois de vê-lo em cena. “Minha mãe é tudo para mim”, conta Sabino, com os olhos marejados e um pedido de desculpas por se emocionar tanto ao falar da pessoa mais importante de sua vida.
A formação em Publicidade e Propaganda – realizada como que para satisfazer a mãe, que desacreditava na vida de artista – só fora realmente usada uma vez, quando Sabino produziu um espetáculo e precisou promovê-lo. Uma das maiores emoções da vida do ator foi ter convidado para participar de sua produção a atriz Solange Couto, hoje uma grande amiga. “Quando sai da casa dela, eu pensei: meu Deus! Ela é louca! Como ela topou uma coisa dessas?”, conta ele ao recordar o fato que acabou desembocando em uma amizade de laços indestrutíveis, já que Sabino apadrinhou o filho da atriz.
Ainda dentre os mais importantes momentos de sua vida, esteve o dia em que sentou na frente do produtor da TV Globo para assinar o contrato de atuação em um dos programas do Chico Anysio. “Naquele momento eu pensei: eu consegui!”, relata o ator, ainda grato a diretora e atriz Cininha de Paula, sobrinha de Chico, por tê-lo colocado na televisão. Sabino atuou como “ator varejão” – aqueles que fazem vários personagens – em Chico Anysio Show e Estados Anysios de Chico Anysio.
Apesar do trabalho na televisão, foi nos bastidores do teatro que conheceu duas pessoas muito importantes para o desenvolvimento de sua carreira. Lupi Gigliotti, humorista brasileira e diretora de uma companhia de teatro para crianças, foi o grande incentivo para o trabalho de Sabino no teatro infantil. “Essa é uma das coisas que sinto muita falta aqui em São Paulo: de fazer teatro para as crianças. Estou esperando alguém me chamar para isso”, desabafa Sabino. O ator contou ainda com a ajuda da colega de profissão Simone Carvalho, com quem fez sua primeira turnê nacional e teve a oportunidade de conhecer grande parte do Brasil.
Agora, morando em São Paulo, o artista tem uma rotina de ensaios, apresentações e de busca por fazer o que lhe faz bem. “Adoro malhar. Vou à academia todos os dias da meia noite às duas. Gosto de dormir, de dançar, de ir ao cinema”, conta ele. Se perguntado a respeito de seus planos para vida pessoal e profissional, ele se mostra mais humilde do que quando começou a carreira. “Quando nós somos novos queremos aparecer na capa da revista. Hoje o que eu quero é viver bem da minha profissão, ser respeitado como ator e, realizar um sonho que está prestes a acontecer: fazer cinema”, reflete Sabino, deixando transparecer um olhar de contentamento através dos encantadores olhos azuis.